Importância do simbolismo para a sociedade medieval

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Importância do simbolismo para a sociedade medieval

Mensagem  Ash_admin em Seg Dez 13, 2010 6:19 pm

Importância do simbolismo para a sociedade medieval




Asociedade medieval não pode ser olhada apenas a partir dos eventos externos(guerras, trabalho, leis. etc), mas precisa ser compreendida também em seusaspectos internos, i. e., na mentalidade. Partindo disto, um dos aspectos maisimportantes dessa sociedade é o simbolismo.


Porsumbolon (palavra de origem grega)entende-se “cada uma das metades de um objeto que fora dividido, para que suajunção funcionasse como uma senha” (FRANCO JÚNIOR, 2010:142). Para nós,ocidentais contemporâneos, é difícil compreender o real sentindo das palavraslatinas, porque estas possuem uma sutileza e diversidade em seu vocabulário quenossas novas línguas não conseguem captar. A partir da própria língua latinapodemos perceber a presença dos símbolos nas estruturas mentais do medievo.“Ele exprime-se por múltiplos vetores, situa-se em diferentes níveis e pertencea todos os domínios da vida intelectual, social, moral e religiosa”(PASTOUREAU, 2006:495).


“Afunção do símbolo é religar o alto e o baixo, criar entre o divino e o humanouma comunicação tal que eles se unam um ao outro”, como afirmara Davy. A partirdesta frase podemos capturar diversos aspectos na vida do medievo. A primeira éa dimensão da própria religião que possui em sua origem etiológica a palavra religare, i. e., religar – a religiãoexerce esse papel simbólico por excelência. Partimos dos templos cristãos epercebemos que toda a sua arquitetura é repleta de significado: a planta emforma de cruz, reforçando a idéia do Corpo de Cristo; os pórticos como aentrada para o Reino de Deus; o batistério na entrada das igrejas, referindo-seà forma fundamental de entrada no corpo de Cristo, corpo este que seriaentregue aos homens através da missa (onde o altar se encontrava na extremidadee toda a arquitetura se voltava a ele); entre outros. Também na escolha dosnomes: desde o judaísmo, “Nomear é um ato extremamente forte, porque o nomemantém relações estreitas com o destino da pessoa que o carrega. É o nome quedá sentido à vida” (PASTOUREAU, 2006:500-501).


Maso símbolo sempre é inferior à realidade simbolizada, ele é apenas um “sinal quefaz reconhecer” (FRANCO JÚNIOR, 2010:142-143). É sempre um sentido alegórico. ÀSanto Agostinho deve-se a origem de muitas alegorias: o fogo para explicar omistério da Trindade, a concha representando a inalcançabilidade dos mistériosdivinos; também o reconhecer a Deus através das criaturas. Tudo isto permitiuaos homens medievais um olhar sobre a realidade que em quase tudo percebiam amanifestação do Criador (teofania). As heráldicas estão repletas dessessímbolos que possuem um significado maior do que aparentam para nós hoje. Nessecaso, os símbolos são interpretados em seu contexto, i. e., na relação com outrossímbolos: um leão pode representar a Cristo (o leão de Judá), ou o evangelista São Marcos, ou mesmo oanticristo. Temos assim outra característica dos símbolos: a polissemia. Oautor Umberto Eco é um dos nomes reconhecidos em semiótica e possui uma boa pesquisano estudo dos símbolos. Em sua obra “Obraaberta” o autor trata da polissemia nas obras de arte, e afirma que umaobra pode ser interpretada de diversas formas, mas não é puro subjetivismo – háum limite para as interpretações. Assim também o é na Idade Média, mas ossímbolos, para aquela época, eram muito mais claros que para nós hoje.
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