Idade Média

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Idade Média

Mensagem  Ash_admin em Qua Nov 24, 2010 8:10 am

O que é Idade Média?

As visões sobre Idade Média


Cavaleiros lutando no campo de batalha, cidades e campos saqueados por hordas de guerreiros, camponeses trabalhando à exaustão para suprir seu senhor, uma época de medo, de fanatismo religioso, uma Idade das Trevas.

Talvez não haja nada mais errado do que ter essas imagens na mente quando se pensa “Idade Média”. É perfeitamente comum que tenhamos certas visões gravadas em nossa memória que traduzem certos períodos históricos. Mas a História não é simplesmente um amontoado de narrativas e análises sem sentido, ela é feita por pessoas e para as pessoas, assim se tivermos o cuidado de olhar mais de perto, podemos perceber que a

Idade Média pode ter algo mais para nos dar do que somente fanatismo, exploração e sangue. Em primeiro lugar, de onde veio essa denominação? Literalmente “Idade do Meio”? É bom ter em mente que tal definição foi feita muito tempo depois da época em questão. Os homens medievais não estavam vivendo “uma época de transição”, sentiam que viviam simplesmente a época contemporânea.

Foi no século XVI que o termo Idade Média foi cunhado. Por essa época estava ocorrendo o Renascimento, cujo um dos princípios era o retorno aos modelos de arte e pensamento da antiguidade, veremos mais adiante que o período medieval foi completamente diferente desse modelo. Um desses renascentistas, Francesco Petrarca, foi o primeiro a caracterizar o período como tenebrae. O bispo Giovanni Andrea o descrevia como media tempestas. Ora, se os renascentistas achavam que estavam resgatando a glória de um tempo perdido, nada mais lógico que denominar de “Tempo Médio” a época dessa “perda”.

Se avançarmos um pouco mais veremos que os homens Iluministas do século XVIII também não guardavam boas impressões sobre o medievo. Convictos de que o misticismo e a religião eram um mal a ser extirpado, não pouparam críticas à visão sobrenatural dos homens do passado, além disso, numa época de absolutismo e centralização do Estado, é quase lógico do que construir uma oposição a uma época de poder político fragmentado.

No entanto essa ojeriza pela Idade Média não duraria muito. Com a chegada do século XIX a Europa passa a viver um novo momento, O extremo racionalismo que prometera um iluminar o mundo acabara por levar a revoluções, guerras e turbulências, mesmo depois disso o Império Napoleônico ameaçava transformar a Europa em França. E de repente era preciso heróis, fé e ideais. O Romantismo não tardou em relembrar os cavaleiros de armadura reluzente, a devoção dos clérigos nas igrejas e mosteiros, e a atuação dos grandes reis para construir e defender sua nação.

Uma imagem justa para Idade Média? Não nos precipitemos. Aqueles dez séculos não foram uma decadência da civilização, mas tão pouco foram um céu na terra. Cavaleiros guerreavam, mas não pelo simples “dever de justiça”, e os reis medievais lutaram por muitas coisas, mas “nação” não era uma delas. Ao ressaltar as belezas e glórias dos que outros achavam ser tempos das trevas, os românticos nada mais demonstravam que sua crítica ao período em que viviam.

Após esses dois extremos o século XX então consegue estabelecer um equilíbrio, e retratar a Idade Média tal qual ela realmente foi certo? Errado. Também esse século acha novas maneiras de se utilizar dessas imagens cristalizadas do passado. Podemos citar o exemplo do Sacro Império Romano sendo utilizado nos ideais do totalitarismo alemão, na instalação do 3º Reich. Também as produções épicas de Hollywood, que muito mais retratam as crenças e problemas da época em que foram produzidas (por exemplo, exaltando o “sonho americano”) do que propriamente a que se referem. Até hoje ainda ouvimos em vários meios alguém se referir como “Medieval” algo bárbaro ou atrasado.

O Medievo

Mas afinal, como podemos pensar seguramente Idade Média? É muito difícil - para não dizer impossível - conseguir vislumbrar o que foi verdadeiramente a essência de uma época, o que temos em mãos são apenas vestígios, pedaços incompletos do que foi a realidade daquelas pessoas. No entanto, se conseguirmos não nos deixar levar por preconceitos, idéias ou até expectativas exacerbadas, pensando sempre que aquelas pessoas eram homens e mulheres que pensavam, sentiam, agiam e sonhavam talvez ao menos possamos fazer jus ao espírito da época.

Então vejamos, quando falamos em Idade Média, estamos nos referindo ao período que a Europa viveu entre o século V e XV, particularmente a Europa Ocidental. Há vários marcos cronológicos usados para delimitar esse intervalo, mas vamos nós restringir aos clássicos, são eles: A deposição do último imperador romano, Rômulo Augusto, representando o fim do Império Romano do Ocidente e a Tomada de Constantinopla pelos turco-otomanos, em 1453.

Para entender essa sociedade talvez devamos olhar para sua gênese. A formação do medievo se deve a três importantes fatores transformaram completamente o mundo antigo: A crise do Império Romano, a penetração dos povos germânicos e o advento do cristianismo.

Os primeiros sintomas de uma mudança de tempos aparecem no século III d.C. Por essa época começamos a ver o despontar de características que anunciam o fim do modo de vida Antigo e o despontar de uma nova organização política, social e religiosa.

A situação do Império Romano

A administração do Império Romano passou por várias mudanças ao longo dos séculos, mas foi a partir do século III que essas mudanças se tornaram mais intensas.

Do ponto de vista econômico o império se encontrou limitado pela sua principal mão de obra: os escravos. Devido a uma diminuição da conquistas militares, a oferta de cativos diminuiu, comprometendo grande parte da economia. Para contornar tal situação a elite romana progressivamente começou a adotar novas formas de gestão de suas terras, uma delas foi o colonato, no qual os proprietários arrendavam as terras a colonos em troca de pagamento e espécie em troca de alguns dias de trabalho nas terras do mesmo.

Mas os problemas do Estado romano ultrapassavam o mero fator econômico. A gestão e mantimento de um Império de proporções gigantescas não eram nada fáceis. Lidar com as diferentes culturas, conflitos regionais, corrupção, etc. foram preocupações que minaram os imperadores desse período. O que estava em jogo era a força da autoridade romana nesses territórios. A saída encontrada por alguns imperadores foi dividi-lo para melhor administra-lo, Dentre eles destacamos Diocleciano, que instaurou a tetrarquia, dividindo o Império em quatro grandes áreas de administrativas e Teodósio que o dividiu o entre Ocidente e Oriente.

O fato de ter que lidar com uma série de culturas e elites nativas nos territórios conquistados sempre foi uma preocupação constante para Roma, problema que só se intensificou com a migração germânica.

A penetração germânica

Durante o século IV uma grande invasão bárbara se apoderou do Império. Na verdade não foi exatamente uma “invasão”, nem foi exatamente “bárbara”. Essa é a expressão mais comum para designar a grande migração de povos germânicos (não romanos, e portanto, bárbaros) que ocorreu nos séculos IV e V. Essa penetração nem sempre foi violenta, não era raro que esses povos comerciassem e prestassem serviços ao Império,inclusive no próprio exército romano. O fato é que de uma forma ou de outra os ditos bárbaros começaram a ocupar cada vez mais lugar na cultura e política romana, de modo a alterar profundamente a dinâmica do império.

O cristianismo

Por fim, o terceiro e principal fator dessa mudança de tempos foi a disseminação da religião cristã na Europa. O cristianismo apresentava um novo discurso acerca do mundo, do papel do homem na cidade e perante Deus. E a transformação para essa nova mentalidade foi uma das grandes revoluções que ocorreram no fim da antiguidade. Será tendo essa visão de mundo como base que a Europa irá se reestruturar nos séculos seguintes.

A interpenetração desses elementos ocorreu entre os séculos IV e VIII e moldou os aspectos que a Idade Média iria adquirir nos séculos seguintes. A herança romana infundiu o caráter sagrado da monarquia; os germânicos acresceram a isso a pluralidade política, o militarismo e os favores recíprocos entre chefes e guerreiros; e o cristianismo permitiu o intercâmbio entre esses dois padrões, fornecendo uma inédita unidade espiritual a toda Europa.

A partir do século VIII até o X, surge no continente uma nova unidade política. Legitimado pela Igreja como verdadeiro sucessor do Império Romano, O Império Carolíngio consegue abarcar em seu domínio a atual França, Alemanha, Suíça e parte da Itália. Esse Estado conseguiu despertar uma noção de “unidade”, e “Império Cristão” que deixaria marcas na mentalidade dos homens medievais.

No entanto, os carolíngios não foram capazes de manter essa unidade por muito tempo, as contradições e disputas internas, junto com uma nova onda de Invasões acabaram por minar o Império, mergulhando a Europa numa nova crise.

A fragmentação que se seguiu, no entanto, não deve ser pensada como necessariamente uma decadência, pois foi a partir do século XI, com a estruturação do feudalismo que a civilização medieval conheceu seu período mais próspero. A vasta coleção de documentos parece mostrar que até o século XIII, a Europa feudal desenvolveu uma forte expansão populacional e territorial, promovendo um crescimento de mão de obra e procura por mercadorias que dinamizou a economia, não obstante, a produção cultural também se desenvolveu, seja nas artes, literatura, filosofia e ciências. De fato, tal sociedade estava longe de ser escura e apática.

Por fim, do século XIII ao XV, vemos o desenvolvimento de fatores que acabariam por transformar drasticamente o cenário Europeu, gerando a Idade Moderna. O surgimento de um segmento social urbano e mercantil, que buscava novos valores acrescidos do desenvolvimento da filosofia racionalista, ciência empírica e monarquias nacionais prenunciavam o surgimento de novas estruturas. Por fim, o sistema econômico feudal não mais conseguia dar conta dessas mudanças, fator que só piorou com a peste negra, acarretando uma profunda crise econômica e populacional.

A importância da Idade Média

Estudar o Medievo não é (ou não deveria ser) somente um mero passatempo, um passado exótico e completamente fora da nossa realidade. A Idade Média de importância crucial para formação da sociedade européia, e conseqüentemente, para o resto do mundo. A formação das línguas neolatinas, a religiosidade cristã, a filosofia, a literatura são apenas alguns exemplos de áreas no qual o pensamento e modo de ver medieval deram enormes contribuições. Assim se quisermos entender a fundo a cultura a ocidental tempos que olhar mais perto para aqueles “tempos de cavaleiros, reis e sacerdotes”.


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João Victor Martins Soares
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Mensagem  Ash_admin em Seg Dez 13, 2010 12:59 pm

Bem vindo ao site Testemunhos do Tempo.

Este site foi feito por sugestão de avaliação da disciplina Metodologia de Ensino de História, do curso de Licenciatura em História da Universidade Federal de Sergipe, para todos aqueles que se interessam no estudo e discussões sobre Idade Média e Temas relacionados.

Mas que foi a Idade Média? Um tempo longínquo de cavaleiros e castelos? Uma época perdida que nada tem a ver com a realidade? Talvez não, A Idade Média foi um período extremamente relevante para a história européia e conseqüentemente do mundo. Uma época que apresenta tantas peculiaridades e inventividades que está longe de ser uma Idade das Trevas. A compreensão de tal período é fundamental para entender grande parte do pensamento e cultura da sociedade moderna.

Para todos aqueles que acham há mais a se descobrir do que meramente o currículo escolar, este espaço foi feito com esse intuito, exatamente pensado em proporcionar a estudantes ou quaisquer pessoas interessadas um espaço para aprofundamento e principalmente discussão sobre pontos relacionados a esse tema, tentando notar as influências, visões e usos da Idade Média hoje.

Portanto fiquem a vontade para navegar, sugerir ou comentar.
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